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DETENTO É MORTO EM CELA NO COMPAJ, MAS NÃO HÁ REBELIÃO, DIZ SEAP

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que na noite desta segunda-feira (10/02) o interno Fabrício Silva dos Santos Neto, 31, foi morto dentro da cela após uma briga com outros três detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Ele cumpria pena por tráfico.

Estes foram encaminhados para a delegacia para depoimento. Ao contrário do que está sendo divulgado em grupos de WhatsApp, não se trata do irmão do traficante José Roberto Fernandes, o Zé Roberto da Compensa, um dos fundadores da Família do Norte (FDN).

Diversos áudios que circularam nesta noite informavam sobre alteração, batidão de grades e até rebelião nas unidades prisionais. Em razão do clima, familiares de detentos se dirigiram até às unidades em busca de informações. A Seap informou não ter registro de alteração nas unidades.

Por determinação do governador Wilson Lima, que está em Brasília para reunião de governadores, o Gabinete de Crise foi instalado ainda no início da noite, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), da Secretaria de Segurança (SSP-AM). Estiveram presentes representantes de todas as forças de segurança pública estadual, do Tribunal de Justiça (TJAM), Ministério Público (MPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) e da Defensoria Pública (DPE).

A possível tomada de poder do Comando Vermelho (CV), segundo um áudio que teria sido gravado dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na verdade seria uma aliança entre as facções criminosas CV e Família do Norte (FDN), numa decisão tomada a partir das lideranças do crime. Nomes não foram divulgados de onde teria partido a ordem para “fechar” com o Vermelho.

O áudio que circulou nas redes sociais traz um detento identificado como “Big”, se referindo ao Mano (pode ser Mano G, Gelson Carnaúba), dizendo que matar uns aos outros não os fez chegar a lugar nenhum.

“Os líderes acharam melhor ter a paz, tanto dentro quanto fora do sistema. Nós tinha tudo (sic), e acabamos praticamente com nada, por conta dos teleguiados. Ninguém está ganhando nada com a guerra, ao contrário. Ninguém se acovardou, simplesmente fechamos a aliança. Não foi nenhum de nós que tomou a decisão. Foi deles. O pedido veio das ruas. Ninguém dá assistência a nada. Nem energia a gente tem, que é um direito nosso. Até segunda ordem, vamos manter o respeito e disciplina. Somos todos sujeitos homens. Estamos sendo transparentes”, diz a mensagem em áudio, tendo a aprovação de outros detentos, que falam enquanto um outro preso faz o discurso.

A mensagem deixa claro que o Compaj está vermelho. Até a noite de hoje, o complexo não tinha uma predominância de facção. Com a nova configuração, os Centros de Detenção Provisória Masculino passariam a ser CV, a unidade I, e FDN, a unidade II. A Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) teria aderido ao Comando.

Onze meses depois do último massacre no sistema prisional do Amazonas, quando 55 presos foram mortos por asfixia e perfurações dentro de quatro cadeiras, em maio de 2019, o Estado vive um clima de tensão dentro das prisões e fora delas.

Nas últimas horas, vários bairros da capital amanheceram com muros e becos pichados com a logo de uma das facções criminosas em ação na capital, o Comando, como Viver Melhor, Jorge Teixeira, Lago Azul e Coroado. No Coroado, inclusive, durante uma execução na tarde desta segunda-feira (10), nas proximidades do crime foi deixada a sigla CV em letras vermelhas. Vídeos, fogos e salves tem sido espalhados nas redes sociais, para aumentar o medo de moradores.

Foguetórios aconteceram em diversos bairros da capital. No último domingo, em razão de instabilidade no sistema prisional, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) suspendeu as visitas a quatro cadeias.

Tanto no massacre do ano passado quanto na chacina no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), registrada em 2017, a FDN foi apontada pelas forças de segurança do Estado como “autora” e “mandante” da série de mortes violentas, sessões de esquartejamento, decapitações e torturas nos presídios. Agora, o CV daria o troco à facção arqui-rival.

As cenas, muitas vezes, são repetidas na guerra do tráfico, nas ruas da capital e no interior, entre soldados ou pessoas ligadas às facções, incluindo as famosas blindadas e namoradas de traficantes.

https://www.portalmarcossantos.com.br/2020/02/11/detento-e-morto-em-cela-no-compaj-mas-nao-ha-rebeliao-diz-seap/

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