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TikTok instruiu a não promover vídeos de usuários ‘feios' e pobres

  

Documentos sobre as políticas de conteúdo do aplicativo apontam que existia uma tentativa de embelezamento para atrair novos usuários 

A rede chinesa TikTok é a que mais cresce entre os jovens e, no último mês, alcançou a marca de segundo aplicativo mais baixado, perdendo apenas para o Facebook. Nesta semana, documentos obtidos pelo site Intercept apontam que a rede instruía moderadores a suprimir criadores de conteúdo que fossem “feios”, pobre e deficientes para atrair mais usuários.

O mesmo documento revela que a plataforam também censurava discursos de cunho político e que “ferissem a honra nacional”.

As políticas adotadas pelo Tik Tok apontavam especificamente que os moderadores evitassem promover conteúdo com “tipos não convencionais de corpo, gordinhos, barriga perceptível, obesa ou muito magra”.

Os moderadores não têm o direito de remover conteúdo, mas têm o poder de boicotar e usar os algoritmos para tornar conteúdos menos visíveis ao público em geral. A página que os moderadores podem interferir em maior parte é a inicial do aplicativo, com o nome de “Para você”. Lá são recomendados os melhores vídeos para os usuários.


Conteúdo “menos chiques ou não apelativos”

Segundo os documentos obtidos, os moderadores foram orientados a proibirem a divulgação de “pessoas feias, com boca torta, problemas nos olhos, falta de dentes frontais, e deformações faciais.”

O documento continua citando que deficientes não devem ser alavancados e que os boicotes não estão limitados apenas a pessoas com acromegalia ou nanismo.

Foi relatado também que a plataforma se preocupava diretamente com discursos dos usuários. Dentro das livestreams do TikTok, os usuários podiam ser punidos com um dia de suspenção se difamassem pessoas, religiões e políticos.

A ByteDance, responsável pela plataforma, adotou essa política para não mostrar conteúdos “menos chiques ou não apelativos” e assim atrair novos usuários para a rede, que cresce exponencialmente nos últimos 4 anos. 

Resposta do TikTok

Procurado pelo R7, o TikTok respondeu que as declarações publicadas pelo site Intercept já tinham sido vazadas pelo jornal britânico The Guardian e também pelo Netzpolitik no ano passado. Entretanto, a matéria publicada nesta semana afirma que as políticas estavam em uso até o final de 2019.


“As políticas e guias publicadas pelo Intercept não estão mais em uso e já não estamos mais ativas quando o jornal conseguiu as informações”.

O Tik Tok declara também essas diretrizes nunca entraram em ativa nos Estados Unidos e eram direcionadas ao público asiático. “Como todas as plataformas, temos políticas para proteger nossos usuários, e proteger a política nacional”, afirmou a empresa em resposta ao Intercept.



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