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Família descobre que idosa foi dada como morta por Covid-19 por engano e que guardava as cinzas de outra pessoa

Alba estava inconsciente e foi dada como morta Foto: Arquivo pessoal
Cidade equatoriana que entrou em colapso e virou símbolo do potencial de estrago do novo coronavírus, Guayaquil foi palco de uma situação inusitada na última semana. Uma família descobriu que um de seus integrantes foi dado como morto por engano. E, pior, que durante dias guardaram as cinzas de outra pessoa.

A personagem central desta história é Alba Angélica Maruri Granda, de 74 anos. Ela deu entrada no hospital no dia 27 de março com febre de 42 graus. Algumas horas depois, seus parentes foram comunicados do falecimento. Possivelmente, por Covid-19.

Ao diário equatoriano Extra, a sobrinha de Alba, Laura Morla Maruri, contou não ter tido a oportunidade de ver o corpo de sua tia quando recebeu a notícia. Apenas nove dias depois, quando ele foi retirado do necrotério. E, ainda assim, com limitações.
–  Nos mostraram à distância. Só pudemos ver os cabelos brancos. Mas eles disseram que não poderíamos chegar mais perto.
O corpo foi cremado no dia 5 de abril. E as cinzas, depositadas numa pequena urna de madeira, foram colocadas numa cômoda do quarto que foi de Alba por 35 anos. Até que, na última quinta, a família recebeu a visita de uma ambulância em casa.
–  Vieram três pessoas: um médico, uma assistente social e um psicólogo. Eles nos disseram que minha tia está viva –  contou Laura. –  Não imaginavam o dano psicológico e emocional que nos causaram e, ainda por cima, nos disseram: "Trata-se de um erro. Entregamos o cadáver errado. Graças a Deus sua parente está viva".
Num primeiro momento, os parentes de Alba ficaram incrédulos. Mas, depois de ver uma foto da senhora no hospital e de ouvir um áudio no qual ela pergunta por que não foi visitada nas últimas semanas,  se deram por convencidos.
Alba passou três semanas inconsciente. Ao despertar, pediu aos médicos que ligassem para uma de suas irmãs. Foi aí que o erro veio à tona.
A história de Alba é o retrato do que a Covid-19 fez com Guayaquil. Com 15.365 casos confirmados da doença e 242 mortes, a cidade não se preparou para a pandemia. Hospitais sobrecarregados levaram os profissionais a cometerm erros.
Não só a rede de saúde como também o sistema funerário de Guayaquil entrou em colapso. As imagens de corpos largados nas ruas circularam pelo mundo e, na última semana, foram usadas pelo prefeito Bruno Covas numa campanha da Prefeitura de São Paulo para convencer a população a cumprir as medidas de distanciamento social.
O reencontro de Alba e seus parentes ocorreu no último sábado, quando eles puderam visitá-la. O hospital disse ter identificado o cadáver apontado por engano como o da senhora de 74 anos. Mas a família decidiu não entregar as cinzas à instituição.
–  Nós mesmos entregaremos aos seus familiares –  afirmou Laura.
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