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Países que seguiram recomendações de combate à Covid-19 estão em situação melhor, diz diretor da OMS

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. — Foto: Fabrice Coffrini / AFP

Diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, respondeu a uma pergunta sobre a fala do presidente Jair Bolsonaro de que ele não é médico. Tedros tem mestrado em imunologia e doenças infecciosas e doutorado em saúde comunitária.

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi questionado nesta segunda-feira (27) sobre uma fala do presidente Jair Bolsonaro, que questionou a necessidade de o Brasil seguir as orientações da entidade em meio à pandemia do coronavírus.
Na fala, feita na última quinta-feira (23) em uma "live", o presidente brasileiro disse que Tedros não era médico. "O pessoal fala tanto de seguir OMS... o diretor-presidente da OMS é médico? Não é médico", disse Bolsonaro, segundo a agência de notícias Reuters.
Em resposta, Tedros lembrou que a organização não pode ordenar que os países sigam suas recomendações – ela pode apenas aconselhar.

"Nós só podemos dar conselhos a países. Não temos mandato para forçar os países a implementar o que aconselhamos. Cabe aos países seguir nosso conselho ou rejeitá-lo", ressaltou o diretor-geral da OMS. "Mas nós damos o nosso conselho baseado na melhor ciência e evidência", pontuou.

Tedros é o primeiro diretor-geral da OMS que não é médico: formou-se em biologia na Universidade de Asmara, na Eritreia (então pertencente à Etiópia), tem mestrado em imunologia e doenças infecciosas pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, da Universidade de Londres, e doutorado em saúde comunitária pela Universidade de Nottingham, também no Reino Unido, onde pesquisou malária.

Antes de chegar à OMS, em 2017, Tedros foi ministro da Saúde e de Relações Exteriores da Etiópia.
Durante coletiva em Genebra nesta segunda-feira, ele lembrou que a OMS decretou a Covid-19 uma emergência de saúde internacional no dia 30 de janeiro – antes de qualquer pessoa morrer pela doença fora da China, onde a doença foi registrada pela primeira vez. Também não havia casos da doença na África ou na América Latina.

"O mundo deveria ter ouvido a OMS com cuidado na época", disse Tedros. "Porque a emergência de saúde internacional, o nível mais alto de alerta, foi ativado quando só tínhamos 82 casos e nenhuma morte no resto do mundo".

"Todos os países poderiam ter ativado todas as suas medidas de saúde pública possíveis. Eu acho que isso é suficiente [para demonstrar] a importância de ouvir os conselhos da OMS", acrescentou.
"E, então, nós aconselhamos todos os países a implementar uma abordagem de saúde pública abrangente. E nós dissemos: 'ache, teste, isole, trace os contatos, e assim por diante'. Vocês podem ver por si mesmos que os países que seguiram isso estão em uma situação melhor que outros. Isso é fato", disse Tedros.
"Na nossa experiência, até agora, alguns países aceitam [conselhos], alguns países não. No fim do dia, cada país assume a sua própria responsabilidade", concluiu.
Esta não é a primeira vez que falas de Bolsonaro repercutem com o diretor-geral da OMS. No dia 31 de março, Tedros negou ter sido contra medidas de isolamento social depois que o presidente afirmou, usando discurso dele, que os "informais têm que trabalhar". Bolsonaro omitiu um trecho do discurso de Tedros sobre a importância do auxílio financeiro aos mais pobres.

Vacinação

Nesta segunda, Tedros também destacou a importância de manter o calendário de vacinação, principalmente das crianças, em dia, mesmo durante o combate ao coronavírus.
"Embora a Covid-19 esteja cobrando um alto preço, a OMS está profundamente preocupada com o impacto que a pandemia terá em outros serviços de saúde, especialmente em crianças", disse o diretor-geral. "Elas podem correr um risco relativamente baixo de ter um caso grave ou morrer por Covid-19, mas podem estar em alto risco de outras doenças que podem ser prevenidas com vacinas. Esta semana é a Semana Mundial de Imunização", lembrou.
Segundo Tedros, já há lugares onde campanhas de vacinação contra a pólio, por exemplo, foram suspensas, e, em outros, a imunização de rotina está sendo reduzida ou encerrada.
"Mesmo quando os serviços estão em operação, alguns pais e cuidadores evitam que seus filhos sejam vacinados devido a preocupações com a Covid-19. Quando a cobertura de vacinação diminui, mais surtos ocorrerão, incluindo de doenças que trazem risco de vida, como sarampo e poliomielite", lembrou.



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