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Após polêmica, mãe da youtuber Bel diz que "espalham ódio gratuito"

Mãe é acusada de maus-tratos ao constranger a filha em vídeos. Em um deles, garota vomita ao provar líquido. Foi até criada a #salvebelparameninas

No Twitter, um dos assuntos mais comentados são os vídeos da youtuber Bel, de 13 anos, no canal "Bel para Meninas". A adolescente tem 7,5 milhões de seguidores no Youtube e outros 1,3 milhão no Instagram. Nas filmagens, a mãe da menina, Francinete Peres, aparece rindo da filha em situações constrangederas, em uma delas a garota chega a vomitar. Internautas passaram a comentar os vídeos e acusam a mãe de maus-tratos. Foi criada a hashtag "SalveBelparaMeninas".

Francinete não quis dar entrevista para o programa Cidade Alerta da Record TV, mas, no Instagram, ela escreveu nesta terça-feira (19): "Enquanto algumas pessoas espalham o ódio gratuito, nós seguimos acreditando na família e no amor. Que nossa felicidade chegue ao coração de vocês!".

Os comentários foram por ela desabilitados e os seguidores só conseguem curtir a publicação, mas não mandar mensagens.

A garota Bel é youtuber desde criança, começou com cerca de 6 anos. As publicações eram feitas com a supervisão da mãe. O canal cresceu e a família ficou famosa. A irmã mais nova de Bel, Nina, passou a participar nas redes.

Francinete foi recentemente questionada sobre o conteúdo permanecer infantil com o passar dos anos, apesar de a menina ser uma adolescente e, em vídeo, respondeu: "Ela não se sente adolescente, deixa ela viver como criança". 

As gravações mostram a garota provando um líquido ruim e afirma que está passando mal. A mãe insiste, ela prova e vomita. Rindo da situação, a mãe ainda joga o conteúdo sobre a filha. Em outro momento, Bel fica desconfortável com a exposição porque quer usar uma mochila, mas Francinete pergunta aos seguidores qual a filha deve usar. A adolescente insiste e parece ser repreendida, tanto que mostra a mão como num sinal de "pare".

O constrangimento não para por aí. Em um dos vídeos, Bel aparece vendada e a mãe dá uma colher cheia de sal de frutas à filha. O remédio foi administrado sem necessidade e traz efeitos colaterais.
A menina também é obrigada a comer polvo cru e aparece se esforçando para se manter firme enquanto nada no mar e parece ser levada pela correnteza. Em outra postagem, a mãe enfia algo na boca da filha e diz rindo: "Engole e morre engasgada".

Investigação

Segundo o artigo 231 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), "submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento" tem como pena a detenção de seis meses a dois anos.

Os denunciantes cobram uma investigação por parte da polícia. Em 2016, o Ministério Público de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar se o conteúdo do canal era usado pela família para exploração comercial, isto é, para fins lucrativos, uma vez que ela é criança.

Segundo a Record TV, esse caso está agora no Ministério Público Federal após um recurso em Brasília. 

Denúncias

Revoltados com a situação, alguns internautas passaram a denunciar o ocorrido e fizeram duras críticas à mãe.

Segundo Ariel de Castro Alves, que é advogado especialista em direitos da criança e do adolescente e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), precisa ser analisado se Bel está sendo submetida a trabalho infantil ao gravar por várias horas diárias com o intuito de obter "curtidas, fama e ganhos financeiros aos pais".

O advogado explica que as gravações sugerem que houve violação ao princípio da proteção integral da criança e adolescente e dos direitos ao respeito e à dignidade, previstos na Constituição Federal e no ECA.

Ariel de Castro ressalta que as pessoas podem denunciar os vídeos ou o canal junto às próprias empresas gestoras das redes sociais ou do YouTube e também para a organização Safernet, que tem parceria com o Ministério Público Federal para verificar crimes e infrações cometidas por meios Os internautas podem ainda denunciar pelo Disque 100, que recebe relatos de violações aos direitos humanos, principalmente de crianças e adolescentes.

Segundo o conselheiro do Condepe, "o pai e a mãe podem ser acusados de descumprimento dos deveres do poder familiar, previstos no Código Civil e no ECA, de amparar, educar, cuidar e mantê-la protegida de qualquer situação de risco".

Nestes casos, se identificado pelo Conselho Tutelar e por equipe técnica da Vara da Infância e Juventude que ela está sendo constrangida, negligenciada, submetida a situação vexatória ou de risco, "pode ocorrer o afastamento provisório dela de seus pais, ficando ela sob os cuidados de outros familiares, até o total esclarecimento dos fatos e os pais demonstrarem que não continuarão com as mesmas práticas", destacou Ariel de Castro.

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