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DF: Garoto que estudava com Wi-fi de açougue ganha internet de professora



Ser jogador de futebol, mas formado em física e engenharia. Esse é o sonho do jovem Willian Marciel Vieira, 13 anos, morador do distrito Nova Fátima, em Hidrolândia (GO). Para conquistar o objetivo, o adolescente sabe exatamente em que precisa investir: nos estudos. 

Antes mesmo de as aulas serem suspensas, em razão da pandemia do novo coronavírus, Willian, que não tinha internet em casa, encontrou uma maneira de continuar estudando. O aluno do 8º ano o Colégio Estadual Ademar Alves de Souza, conseguiu com o dono de um açougue a senha do Wi-fi. A sala de estudos: o banco de uma praça em frente à casa de carnes.

O aparelho celular utilizado foi comprado há menos de um ano, fruto do dinheiro conquistado por seis meses vendendo latinhas. “Continuo juntando porque quero comprar um celular melhor, espero conseguir até outubro”, relata.

Apesar de estar dispensado das aulas, provas e de atividades escolares, o menino segue reservando cerca de duas horas por dia para estudar. “Hoje em dia, a gente não consegue nada sem o estudo. Ele é muito importante na vida de qualquer pessoa. Eu quero me formar em um monte de coisas, então preciso focar”, pontua.

Além de querer se profissionalizar no futebol, Willian pretende se formar em física e engenheiras. Duas áreas conectadas da sua matéria favorita da escola: ciências. Após terminar a faculdade de física, o objetivo do jovem é conseguir tornar mais fácil a forma de se aprender o conteúdo. “São contas enormes, eu quero simplificar isso”, afirma. 

Para quem estava acostumado a ver o menino sentado no banco da praça, com o caderno e celular nas mãos, restará apenas lembranças. Agora, a visita até lá é só para juntar as latinhas. Isso porque, comovida com a história, uma professora doou internet para o estudante. “Ela vai pagar até eu terminar os meus estudos. Fiquei muito feliz, isso é muito”, comenta o aluno.

De origem humilde, o adolescente mora com os avós, a tia, prima e irmã. Com a internet doada pela professora, aprender se torna mais fácil, mas ainda longe do que se espera do ensino brasileiro. Assim como Willian, essa é a realidade de muitos alunos do ensino público brasileiro, que precisa diariamente enfrentar barreiras para ter acesso aquilo que é garantido pela Constituição: a educação. 


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