100 anos de história: A fuga da ‘Seca de 1919’ no Ceará que vira um romance no Amazonas entre um índio e a moça de pele e olhos claros

Em 07 de Maio de 2013 0 Movimento Indígena de Renovação e Reflexão do Estado do Amazonas (Mirream) publicou o relatório da Expedição Badajós que de forma investigativa o histórico Indígena e Cearense, das famílias Batista e Ferreira, no Lago do Badajós  no município de Codajás, no Estado do Amazonas.

Família Ferreira

A família Ferreira tem origem no Estado do Ceará e veio para o Amazonas fugindo de uma grande seca ocorrida nos ano de 1919, do Século XX, trazidos por um tio chamado Clementino e tendo como patriarca João Ferreira da Silva conhecido como Sr. Branco  e dona  Antônia Ferreira conhecida como Dona Mulata e trouxeram seus filhos: Francisco, Hermínio, Luiza,  Luiz, Maria, Maria (Tia Lôra), Raimundo  (Neném Ferreira), José e Joana.

Chegando em Badajós  a Família contratou o Índio Apurinã oriundo do Rio Purús chamado João Batista para ensinar os filhos a caçarem e a pescarem  devido eles não conhecerem nada sobre a região Amazônica.

João Batista Apurinã era casado tinha cinco filhos e era irmão de dona Gemina Batista uma índia  Apurinã que morou na localidade do Arpãnhuba, no Rio Badajós, mas mesmo casado encantou-se com a beleza da menina Joana Ferreira a qual tinha lindos olhos verdes e largou sua primeira família assim furtando Joana para os rumos do rio Manacapuru onde la concebeu um filho chamado Raimundo Ferreira da Silva Sobrinho ficando conhecido posteriormente  o menino como Caboco Ferreira devido sua mistura racial entre uma cearense e um índio amazonense.

Quando João e Joana  estavam em Manacapuru fugidos da Família Ferreira o dono do barco que os levou contou o paradeiro dos dois e a Família foi atrás deles numa voga.

Desse momento em diante João Batista some da historia (Não se sabe como: se morreu de feitiço posto pela índia que ele abandonou ou assassinado pela família de Joana) e Joana é obrigada a casar-se com um outro empregado da casa chamado Horácio Uchoa e teve com ele três filhos: Ivo, Alice e Maria.

Raimundo Ferreira da Silva Sobrinho o Caboco Ferreira mesmo sendo neto foi criado como filho de dona Mulata e senhor Branco (os avôs), era um exímio pescador, em 1942 formou família com Francisca Ribeiro da Silva e com ela concebeu nove filhos: Maria, Valdiza, Adalberto (falecido), Alberto (falecido), Glair (falecida), Clecy (falecida), Geraldo,  Francisca Filha (Conhecida como Grazy), Manoel e Joana.

Em 26 de Julho de 1963  morre Caboco Ferreira devido ter sido acometido de uma Cirrose-Hepática e Francisca fica em Badajós até 1965 de onde partiu em busca de estudos para seus filhos menores e tem sua chegada em Manaus em 10 de Maio de 1965.

Francisca esposa do Caboco Ferreira (Xica Nova), Francisca (Xica Velha) e Mimi Ferreira eram as parteiras do Lago de Badajós e adjacências.

Francisca Ribeiro da Silva Filha uma das filhas mais jovens de Caboco Ferreira concebeu cinco filhos: Paulo José Ribeiro da Silva (19/04/1974) Paulo Apurinã, Jefferson José Ribeiro da Silva (29/07/1976), Silvio José Ribeiro da Silva (30/12/1977), Rosana Ribeiro da Silva (17/06/1979) e Rodrigo Ribeiro da Silva (09/12/1981).

A Historia sobre a descendência indígena e cearense de Paulo Apurinã é confirmada em seis depoimentos colhidos em forma de vídeo, em Badajós, Codajás e em Manaus, das pessoas: Mimi Ferreira (101 anos), Graça Ferreira (65 anos), José Ferreira (64 anos), Nazaré Ferreira (84 anos), Severino Aprígio (84 anos) e Francisca Ribeiro da Silva (84 anos) e tais depoimentos se encontram a disposição da Justiça Federal do Amazonas.

 

No vídeo abaixo Xica Nova e Mimi Ferreira confirmam a história narrada:

“Esse dia foi um dos mais felizes em nossas vidas onde eu e meu irmão mais moço (Rodrigo) pudemos fazer acontecer um reencontro entre Dona Mimi Ferreira (101 anos) e nossa Vozinha Francisca Xica Nova (84 anos). Elas se emocionaram muito pois faziam 48 anos que não se viam desde 1965 quando minha vó veio do Lago de Badajós, município de Codajás, para Manaus. Todos nós choramos de muita alegria nesse momento, Dona Mimi foi quem criou meu avô (Raimundo Ferreira Sobrinho, o Caboco Ferreira) junto com seu falecido marido Raimundo Ferreira ( Neném Ferreira)”, diz Paulo Apurinã.