O grupo de trabalho formado pela Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) realizou uma reunião técnica, na Aleam, para apresentar o pré-projeto de utilização do gás natural em fornos do Polo Cerâmico Oleiro dos municípios de Manacapuru e Iranduba, que, atualmente, é composto por mais de 30 indústrias e utilizam no processo de queima dos seus produtos a lenha e biomassa variada (pó de serragem, madeira triturada, resíduos de papel, entre outros). Assim, o gás natural é uma maneira de buscar alternativas ambientalmente adequadas e economicamente viáveis, para mudança de matriz energética.

Entre as propostas encaminhadas estão identificar a produção e a quantidade de biomassa utilizada para a queima, atualmente; realizar análise química das características da argila local e qual a sua temperatura ideal de queima; verificar a equivalência do uso do gás em comparação ao uso da biomassa vegetal e coletar amostras de argila em pontos pré-determinados, em especial do pretenso local do Distrito Cerâmico de olarias nos Kms 40 e 70 da AM-070, bem como Cacau Pirêra.

“A mudança de matriz energética no Polo Cerâmico Manacapuru-Iranduba é uma esperança de tornar possível o crescimento econômico sustentável do Estado do Amazonas, visando sempre a responsabilidade e compromisso que temos com os trabalhadores desse segmento, assim como o cuidado que temos pelas famílias de cada operário. Para que essa mudança ocorra vamos capacitar cada trabalhador que já está inserido nesse processo, pois o nosso objetivo com esse projeto é gerar dez mil novos postos de trabalho diretos e indiretos, crescimento do Produto Interno Bruto de Manacapuru e Iranduba e, consequentemente, a redução de emissão de poluentes, provenientes da queima de madeira, em torno de 40%”, destacou o deputado estadual Sinésio Campos (PT), que preside a Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Aleam.

“O Polo Cerâmico é importante para o desenvolvimento social e econômico tanto de Manacapuru, quanto de Iranduba, e nós entendemos que essa mudança de matriz energética é propícia, uma vez que estamos tendo muita dificuldade na obtenção de biomassa vegetal de origem legalizada, que é prioridade dos nossos ceramistas. Por se tratar de uma matriz energética muito mais limpa que utiliza um outro recurso abundantemente disponível em nossas jazidas naturais, em um local que já recebeu o city gate, então, nós temos condição, hoje, de realizar essa mudança. Todavia, precisamos fazer alguns ensaios e isso foi colocado no pré-projeto, do qual participamos, e a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) está dando todo o apoio para que isso seja viabilizado”, enfatizou Renée Veiga, assessora técnica da Presidência e gerente de Meio Ambiente da Fieam.

“A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam) está à disposição no que for necessário para que esse projeto se torne uma realidade. Sabemos que a mudança da matriz energética não vai reduzir o quadro de empregos desse segmento, ao contrário, vai trazer melhorias para a nossa região, tanto econômica, quanto ambiental, proporcionando melhores condições aos trabalhadores do setor oleiro”, comentou o chefe do departamento de recursos energéticos da Arsepam.

Localizado à margem direita da rodovia estadual Manoel Urbano (AM-070, Km 54), com uma área de 60 hectares, o projeto está orçado em cinquenta e seis milhões de reais e tem recursos como o orçamento Geral da União e Estados amazônicos, Fundo de Desenvolvimento da Amazônia e fundo constituído pelos governos Estadual e Municipal.

Participaram da reunião representantes do Sindicato de Ceramistas (Sindicer), da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), do Banco da Amazônia (Basa), da Companhia de Desenvolvimento do Amazonas (Ciama), da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), do Serviço de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).