O boi Garantido continua pintando de vermelho as ruas de Parintins. O ápice da “Semana Vermelha” será a Tradicional Alvorada, que sai às ruas de ilha Tupinambarana, na madrugada do dia 1º  e termina ao Alvorecer, em frente a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do município. A passeata que se estende madrugada afora leva em média 20 a 25 mil pessoas ao trajeto, que um se transforma em verdadeiro “tapete vermelho” pelas ruas e avenidas da ilha.

O jornalista e compositor, Mencius Melo, integrante  da Direção Geral do Espetáculo (DGE) relembra que Lindolfo Monte Verde, ainda no “tempo das lâmparinas” saia pelas ruas da cidade vendendo a “Língua do Boi” com seus cordões de batuqueiros e foliões. Ele explica que a Baixa de Dona Alexandrina era, naquele tempo, longe do centro urbano de Parintins, e que não raro, Seo Lindolfo e sua turma voltavam pela manhã , ao Alvorecer, batucando e acordando a cidade com o  famoso “anunciei boi na cidade”.

“Está aí a raiz da Alvorada. Com o passar dos anos, os irmãos Zezinho e Paulinho Faria e o então jovem artista Jair Mendes e o Amo Do Boi João Batista Monteverde, decidiram fazer o caminho inverso e assim ao invés de voltar para a Baixa, o boi ia em direção ao centro de Parintins. Eles estabeleceram uma data fixa (30 de abril para 1 de maio) e em algum lugar no final dos 1970 e início dos anos 1980, os irmãos Faria agregaram organização e tecnologia à festa. Dotando-a de carro som, o que obviamente potencializou o evento. Nascia assim a ‘Alvorada’ no formato que a conhecemos hoje”, esclareceu.

Zezinho Faria em uma entrevista sobre a ideia de acordar a cidade, declarou: “Pensamos em sair da Baixa para anunciar o boi ruas da cidade.  Mas, foi em 1987, na inauguração do Show Clube Ilha Verde, onde cedemos  para o Garantido fazer o baile “Vermelho e Branco” que esse formato se fortaleceu. Foi justamente no baile  “Vermelho e Branco”  com o grupo  Regional Vermelho e Branco, que demos  outra dinâmica à Alvorada com todos saindo de pé no chão. Amanhecemos nas ruas de Parintins. Naquele ano ainda voltamos ao curral.  Depois foi crescendo e não dava mais para voltar e as pessoas ficavam na frente da catedral. Só voltávamos caminhando à Baixa para  guardar o material”, recorda.

Mais inovação

Já no início dos anos 1990, continua Mencius Melo, com o advento da toada de Chico da Silva “Boi do Carmo”, Paulinho Faria criou o hábito do povo rezar em frente a Catedral da Santa, pedindo benção ao alvorecer, embalados e emocionados pela toada do Chico.

“Então esta aí a Alvorada do Garantido até os dias de hoje, herança do boi que ia às ruas pelas mãos de Lindolfo Lindolfo Monte Verde e que foi potencializada por Zezinho, João Batista, Jair e Paulinho. É assim que funciona. Assim é o folclore, que a cada década pode agregar elementos novos, mas, sem perder sua raiz”,concluiu.

Magia

Para o apresentador Israel Paulain, a Alvorada é mágica. É o encontro de todos os torcedores apaixonados com o Garantido. “É o momento de lavarmos a alma de emoção pelas ruas de Parintins e recebermos as bênçãos de Nossa Senhora do Carmo”, disse. Israel afirma que será a maior da história. “Se tornará um marco da caminhada  firme em direção ao bicampeonato e do que será o maior festival de todos os tempos. A  Alvorada é única  e tradicional. A Alvorada é do Boi Garantido”, sentencia.

Festa no Curral

Antes da saída às ruas, a festa começa, neste sábado (30), no Curral Linfolfo Monteverde (Cidade Garantido), a partir das 20h, com a participação de todos os itens do vermelho e branco.

Encerramento

No dia 1º  de maio, a partir das 20h30, acontece o primeiro ensaio oficial Boi Garantido, no Arraial de São José.

“Encerraremos a Semana Vermelha, com o tradicional primeiro ensaio oficial, no Arraial de São José, como acontece há décadas. Isso é o Garantido, sempre preservando a tradição com inovação”, finalizou o presidente do Boi Garantido, Antônio Andrade.