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SÃO LUÍS, MA (FOLHAPRESS) – Pesquisadores brasileiros realizaram um estudo para testar se o canabidiol (CBD), componente sem efeito psicoativo da maconha, pode ser utilizado no tratamento dos efeitos de longo prazo da Covid-19 -a chamada Covid longa.

A hipótese é que a substância possa ser útil porque ela já tem eficácia comprovada contra outros casos inflamatórios semelhantes ao provocado pela doença. O coordenador da pesquisa, o cardiologista Edimar Bocchi explica que a Covid causa a inflamação de vários órgãos do corpo humano, com sintomas muito diversos.

Segundo ele, que também trabalha no Incor (Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP), estudos apontam que entre 10% e 20% de quem foi infectado pelo Sars-CoV-2 deve apresentar a Covid longa.

O cardiologista explica que existem três motivos para esses efeitos prolongados acontecerem. No primeiro, o paciente, depois de se curar da infecção viral, fica com um distúrbio imunológico que causa o problema. No segundo, é a própria infecção viral inicial que segue no corpo, atingindo diversos sistemas e órgãos. Já no último, a Covid acaba desencadeando uma inflamação crônica pré-existente.

Em 2019, a Anvisa regulamentou o uso de medicamentos derivados da maconha e permitiu sua venda em farmácias -essa autorização permite o cultivo legal da cânabis no país.

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados já aprovou um projeto de lei que autoriza que empresas façam o cultivo da planta com fins científicos ou medicinais. A regra, porém, ainda precisa ser votada no Senado e, se for aprovada, ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) -um crítico ferrenho desse tipo de medida. .