Paulo
Kakinoff avalia que acordo entre as concorrentes Latam e Azul deve se
replicar após a pandemia para sobrevivência das companhias, mas garante
que não faz parte da agenda da Gol

 O presidente da Gol Linhas Aéreas, Paulo
Kakinoff, aposta em uma reconfiguração do setor aéreo após a pandemia, com
fusões entre companhias. A afirmação foi feita ao responder sobre como avalia o
acordo feito entre as concorrentes Azul e Latam, durante live do bloco O futuro
do transporte aéreo no Brasil, realizada nesta terça-feira (23/6), pela Airport
Infra Expo, como parte da série on-line “AirCovid”. 
 Segundo o executivo, a Gol se posiciona de
forma positiva ao codeshare (acordo no qual duas ou mais companhias aéreas
compartilham o mesmo voo) da Azul e Latam. “Isso pode endereçar o desequilíbrio
entre oferta e demanda, que é o que mais impacta nas operações em crises agudas
como essa, por acelerar o processo de racionalização da sua oferta”, disse.
Para Kakinoff, na esteira pós-covid, no mundo todo, haverá uma reconfiguração
no número de players. “Os ajustes passarão por algumas empresas se
inviabilizando, ao não encontrarem alternativas, decretando insolvência.
Outras, reduzirão seu tamanho. E haverá uma quantidade significativa de
fusões”, estimou.
 As fusões serão alternativas às aquisições, de
acordo com Kakinoff, porque as empresas estarão com liquidez muito baixa. “A
fusão pode ocorrer em estágios menos elaborados e menos complexos, na forma de
parcerias e codeshares, como a gente vê entre aqui (entre Latam e Azul). Todos
esses movimentos têm tendência de catalisar oferta. A gente vê esses níveis de
cooperação de maneira positiva e benigna para a velocidade de aceleração na
retomada”, destacou.
  No
entanto, Kakinoff assegurou que não faz sentido na agenda da Gol, que tem feito
sua adaptação ao cenário “de forma independente”. “Temos conseguido ampliar
nossa própria capilaridade com parceria com a Voepass, que nos ajuda a
endereçar o mercado regional. A Gol tem 40% de participação de mercado, sem a
necessidade de acordo, mas o movimento é benigno”, reiterou.
 Com relação às dívidas da Gol, Kakinoff disse
que a companhia teve uma evolução importante na gestão de todos os compromissos
financeiros. “A Gol firmou, com os colaboradores, um acordo inédito no mundo
todo, que deverá servir de modelo a ser replicado pela indústria, garantindo
estabilidade em troca de redução da remuneração do grupo, até o fim de 2021”,
pontuou. Com os fornecedores, proprietários dos aviões operados pela empresa, o
CEO disse estar em um estágio avançado de renegociação. 
  “A
Gol tem um vencimento agora em agosto, cujos recursos para amortização temos em
caixa. E, fora isso, outro grande vencimento só no fim de 2023, o que nos dá
fôlego de tempo para reconstituir nossas posições financeiras até lá”,
explicou. Sobre o socorro do governo às aéreas,  Kakinoff afirmou que as
tratativas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
estão evoluindo, mas a linha de crédito “não necessariamente” será aproveitada
pela Gol.
  “Há
um alto nível de tecnicidade e desafios para execução para que essa linha
tenha, nas suas configurações, um nível de atratividade balanceado, para os
investidores que irão compor 30%, para as companhias que tomarão o crédito, e
para o consórcio de bancos privados e o próprio BNDES”, explicou. “Tenho
convicção de que se configurará em breve numa alternativa para o setor, mas não
necessariamente será utilizada ou se apresenta como única alternativa”, disse.
 Como gestor, no entanto,
Kakinoff  afirmou que é seu dever constituir uma alternativa em caso de
necessidade para recomposição do caixa da empresa. “A recuperação do mercado
doméstico levará meses e a do internacional, anos. Nós temos uma baixa
dependência desse mercado. O modelo de operação, com frota padronizada, nos dá
vantagem, porque conseguimos reacomodar nossos aviões, ao contrário de quem tem
aviões específicos para voos internacionais”, comparou. 
Foto: Paulo Whitaker