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Especialista em Direito Virtual dá dicas para que o cidadão não caía nos rotineiros golpes virtuais que se espalharam por Manaus

A simples mensagem de SMS com um link é uma das portas de entrada para um criminoso invadir o celular da vítima e aplicar golpes por clonagem de aplicativos de mensagens. Os crimes se espalharam em Manaus com uma velocidade jamais vista até mesmo pela própria Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP). De janeiro a julho deste ano foi registrado um aumento de 50% no número de golpes (735) se comparados ao mesmo período do ano passado.

Os casos são semelhantes. O criminoso manda um link para o celular da vítima, a pessoa clica no endereço e a partir daí o estelionatário clona o app de mensagem instantânea da vítima; coloca a foto usada pelo usuário no perfil, observa quem são os familiares e amigos, e parte para o ataque solicitando dinheiro. O professor de Direito da Faculdade Martha Falcão e membro do Instituto Brasileiro de Direito Eletrônico (IBDE), Guilherme Tomizawa, alerta que os criminosos conseguem acessar o telefone da vítima, geralmente, por um link falso recebido no WhatsApp, no SMS, e-mail ou redes sociais.

“Normalmente, usando a prática de phishing, que é uma técnica de engenharia social usada para enganar usuários e obter informações confidenciais, os criminosos  vão conseguir ter o acesso ao seu celular por meio de um link falso que você acessou, documento que você abriu em sua caixa postal. Não abrir e-mails de origem desconhecida; não abrir arquivos idem. Aquela velha história: não falar com estranhos; não aceitar algo de um desconhecido. Esses acessos podem ser obtidos com a ajuda da engenharia social. Os cidadãos, muitas das vezes sem a devida instrução, entregam informações básicas para que o fraudador acesse seu celular”, explica Tomizawa.

O professor de Direito da Faculdade Martha Falcão diz que os casos se multiplicam em razão do criminoso manter-se de forma oculta e pela facilidade de obter informações das vítimas.  “É mais seguro para eles (golpistas). O que ocorre é que essas pessoas (criminosos) estudam pelas redes sociais ou pelo próprio aplicativo de mensagens quem são as pessoas mais próximas do círculo dela, amigos e parentes, e vão chutando o vínculo afetivo ou parentesco próximo”, diz o advogado.

Guilherme Tomizawa destaca que o aumento no uso de apps com mensagens instantâneas corroborou para a elevação no número de golpes pelo celular. “Isso se deu ao grande número de pessoas que trabalham e usam os comunicadores instantâneos de mensagem, tais como o WhatsApp, Telegram e Signal, para todos os afazeres do dia a dia, como trabalhar ou sociabilizar”, fala o professor.

O professor da FMF relembra que um falsário tentou aplicar o golpe da clonagem de telefone nele mesmo. O criminoso fingiu ser a esposa dele para iniciar o golpe do pedido de dinheiro. Guilherme alerta e pede máxima atenção da população. “Pode acontecer com qualquer ser humano. A sorte é que minha esposa estava ao meu lado e de cara vi que era um golpe. Mas estava a foto que ela usa em seu perfil. O cidadão tem de ficar sempre atento e imediatamente denunciar o caso à Polícia”, comenta Guilherme.

Dicas do professor:
Não clique em links desconhecidos;
Não abra arquivos desconhecidos;
Não abra e-mails de origem desconhecida;
Não fale com estranhos;
Não forneça dados;
Não aceite algo de um desconhecido;
Atualize sempre seu celular;
Opte por proteção em 2 etapas;
Busque sites que contenham HTTPS (de security – segurança);
Passe o mouse em cima do link, para ver se ele é legítimo.

 

Dados

Segundo a Secretaria de Segurança do Amazonas, até julho de 2021, o número de ocorrências de invasão de dispositivo informático, a descrição formal em que se enquadra a clonagem de app, já é maior que o total de ocorrências que chegaram ao conhecimento da polícia nos últimos dois anos. A pena para quem invadir um dispositivo a fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do dono, ou ainda instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita, é de um a quatro anos de reclusão e multa.

 

Fonte: SSP-AM

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