Sandra Mara Fernandes, esposa de um personal flagrada com o sem-teto Givaldo Alves, contou detalhes do dia em que teve um surto e acabou fazendo sexo com o morador de rua achando que fosse o marido. A cena viralizou nas redes sociais.

Em entrevista ao programa Superpop, da RedeTV, Sandra – que foi diagnósticada após o episódio com transtorno bipolar afetivo – afirmou que já havia notado alguma mudança em seu comportamento desde o início do ano, mas não achou que fosse uma condição. “Nesse período eu mudei totalmente o meu comportamento. Eu fiquei eufórica, fazendo várias coisas ao mesmo tempo. Meu marido não tinha estranhado, porque ele ficou super feliz por eu estar alegre e super ativa”.

“Nesse momento de euforia, eu fiquei mais amorosa, mais elétrica. Eu me senti diferente, mas achava que eu tinha mudado para melhor. Eu queria ser aquela versão da Sandra, de uma mulher que não reclama, que não murmura”, contou.
Após a exposição, Sandra afirmar querer voltar à vida normal e por isso está em tratamento. “Eu juro que eu não queria ter esse tipo de exposição. Eu só queria voltar para minha vida normal. Muitas vezes me sinto nojo de mim, por isso eu preciso continuar meu tratamento, para ter coragem para seguir em frente”.

Ela também conta que quando perdeu a mãe teve depressão e chegou a tomar medicamentos prescritos por psiquiatra, mas não foi diagnosticada com bipolaridade.

Sobre o dia do surto que terminou com ela sendo flagrada pelo marido com o sem-teto, Givaldo, Sandra detalha como tudo aconteceu: “Eu estava fazendo doações junto com a minha sogra. Mais tarde, fui buscar minha filha na escola e, então, o indivíduo [Givaldo] chegou. Eu fiquei sozinha no carro enquanto ela saiu para pegar a minha filha na portaria. Eu não o conhecia, nunca tinha o visto na vida. Minha sogra estranhou o momento em que dei um beijo nele na frente delas na escola. Quando eu fiz isso, eu enxerguei nele o meu marido e Deus ao mesmo tempo. A confusão mental começou ali”, relembra.

Sandra disse não se lembrar com clareza como tudo aconteceu, mas que recorda algumas coisas. “Foi em um áudio feito pela minha amiga quando eu relatei que, primeiramente, o encontrei na porta da escola da minha filha. E depois ele marcou um encontro comigo na rodoviária e fui. Mesmo assim, eu achava que estava indo encontrar Deus, que ele tinha possuído o corpo daquele homem”.

Ao chegarem no local, Sandra disse que sempre o chamava por “marido”. “Eu o levei até o meu carro. E no meio do caminho ele me pediu para fazer um percurso até determinado local, mas não estranhei, achava que era meu marido. Não imaginava que quando eu estacionasse, começaríamos o ato sexual. Não estranhei na hora”.

Sandra disse ainda que a confusão mental ficou ainda pior ao ver a chegada do marido, já que também via Givaldo como o personal. “Eu não entendia como meu marido estava do meu lado e ao mesmo tempo estava na rua. Aí eu comecei a enxergar o homem ao meu lado no carro como Deus. Quando ele foi agredido, eu me ajoelhei no chão e tentei interceder por céus: ‘Por favor não bate nele, ele é Deus, eu imploro'”, recordou.

“Tenho apenas memória parcial do ato sexual. Eu não me lembro da conversa em si, porque foram muitas horas dentro do carro. Mas, no hospital, eu tive um segundo surto, no qual eu fui amarrada por mais de quatro homens, porque eu reagia e tinha uma força que nunca imaginei. Eu fui parar em três hospitais no total. Depois, houve um terceiro surto, porque eu não queria vestir minhas roupas. Foram os piores dias da minha vida”, contou.

Com medo de ter outro surto, Sandra fechou a loja de roupas onde trabalhava e atua apenas com vendas online.
Ela luta para superar toda a exposição. “Depois que deixei o hospital e vi toda essa humilhação que fizeram comigo, eu não acreditei, porque criaram um personagem de horror para mim, me colocaram no fundo do poço. Superar uma situação como essa não é fácil”, criticou Sandra.

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2022/04/27/mulher-flagrada-fazendo-sexo-com-sem-teto-no-df-fala-pela-primeira-vez-dias-muito-dificeis.ghtml