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“Revejo o abusador na ceia”: quando o Natal é o pior pesadelo da mulher.

Na véspera do Natal de 2012, Adriana Mattioli, que na época tinha 22 anos, juntou-se à família para a ceia, mas quase não conseguiu acompanhar a conversa, se divertir ou comer: ela estava sentada diante do seu pai, o homem que havia abusado sexualmente dela na infância e com o qual preferia não ter nenhum tipo de contato.
Até aquele momento, eles pouco se encontravam. Mas com o falecimento do avô, dois meses antes, ela não teve coragem de faltar às comemorações, pois sabia que isso causaria sofrimento à avó. A experiência foi terrível: “Tentei evitar o contato o máximo que pude, mas não conseguia ignorá-lo, pois estávamos muito próximos. A comida não descia pela minha garganta. Passei mal depois”, conta.
Nem o primeiro, nem o último Natal 
Adriana não se lembra de quando os abusos começaram, mas tem memória de algumas situações traumáticas vividas na primeira infância. “Quando tinha 4 anos e meio minha mãe descobriu sobre os crimes e pediu a separação, mas não chegou a denunciá-lo formalmente. Na época, o juiz determinou que eu só poderia visitar ou dormir na casa dos meus avós paternos quando ele não estivesse lá”, explica.A mãe de Adriana também expôs o problema à família do ex-marido.
Com a restrição judicial, ela passou alguns anos sem ver o pai, mas enfrentando resistência por parte da avó paterna. “Ela tem uma postura superprotetora com o filho, não consegue reconhecer os erros dele”, explica.
A situação mudou na adolescência: os avós organizaram uma festa para comemorar as bodas de ouro e ela se viu em um beco sem saída: não poderia fazê-los escolher entre a presença do filho ou da neta. “Acabamos na mesma mesa, a situação foi muito desagradável. Pensei que havia acabado, mas depois disso minha avó se sentiu a vontade para chamá-lo sempre para as datas comemorativas, principalmente o Natal. Ele aparecia de surpresa, ficava um clima ruim na casa”, conta. 
Até o falecimento do avô, os encontros eram mais rápidos e não tão frequentes, pois ele não gostava de ver o filho perto da neta. “Depois que ele se foi, a presença do meu pai era certa nestes eventos. Ele posava de bonzinho e eu sempre com aquele sentimento ruim. Começava a ter crises de ansiedade pelo menos duas semanas antes do Natal, mas queria ver minha tia, meus parentes”, relembra. Os momentos de tensão só acabaram para Adriana quando o pai faleceu. “Ele bebia, fumava. Teve complicações e morreu cedo, aos 57 anos”.
Ressignificação 
Hoje, aos 29 anos e trabalhando como professora, está casada e, pela primeira vez, vai comemorar o Natal na sua própria casa, com as duas famílias: a materna e a paterna. “Estou ansiosa para saber como será a nova dinâmica. O Natal está voltando a ser para mim o que deveria ter sido desde o início: uma data para me reunir com as pessoas que amo”, diz. 
Fonte : UOL 

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