TCE
Desde o final do mês de abril, as chuvas assolam o Rio Grande do Sul que, neste momento, enfrenta o seu pior desastre climático — números que superam os do ano de 1941, quando as cidades gaúchas também foram atingidas por chuvas intensas. Já decretada como calamidade pública há dias, os danos são muitos e alguns prejuízos são irreversíveis.
Segundo dados do boletim da Defesa Civil do estado divulgados na segunda-feira (13), duas novas mortes foram confirmadas, contabilizando 147 vítimas, mais de 127 desaparecidos e 806 feridos. Hoje, o número de pessoas desalojadas chega a 538,2 mil, e 77,4 mil encontram-se nos abrigos. Ao todo, o número de pessoas afetadas passa dos 2 milhões.
Diante do cenário avassalador, houve uma enorme repercussão — dentro e fora da mídia — em torno do assunto e correntes de ajuda estão sendo feitas desde então. Pontos de coletas de roupas e alimentos, além das doações online, como a vakinha, foram criadas para arrecadarem o máximo de itens possíveis para auxiliar nesse período tão complicado para o povo gaúcho — que ainda se recupera ou tenta seguir em frente.
Apesar do incentivo às boas práticas de ajuda e diversas outras formas de auxílio, há muitos criminosos que estão aproveitando a oportunidade para cometer furtos e outras ações infratoras, como o saque às lojas do clube de futebol Grêmio, reportadas por meio de imagens e gravações repercutidas nos canais televisivos e nos veículos online.
Nas redes sociais, por exemplo, foram expostos prints de cobranças indevidas por resgates, além da utilização de chaves pix falsas e/ou modificadas por parte dos criminosos para realizar o desvio de valores destinado às doações para as vítimas.
Para Sylvia Bellio, especialista em cibersegurança, o momento é de tristeza e solidariedade aos cidadãos do Rio Grande do Sul. “É ainda pior ver que, diante deste momento, muitos ainda pensam em aplicar golpes e tirar a oportunidade de ajuda para milhares de pessoas que tiveram suas vidas completamente transformadas nos últimos dias”, comenta.
 
Confira como evitar golpes ao efetuar doações online para o RS
 
 
Procure por instituições e empresas de confiança antes de realizar doações
Segundo Sylvia Bellio, há centenas de projetos sendo realizados online, mas os golpes começam por aí, quando os infiltrados aproveitam a situação para criar campanhas falsas, fazendo com que os valores ou itens doados nunca cheguem de fato ao destino final. “É extremamente importante checar os nomes dos projetos, verificar se há indicações de alguém de confiança ou que atua de alguma forma na causa. Além disso, existem campanhas oficiais sendo mobilizadas por empresas ou marcas sérias e importantes”.
Confira se os itens sugeridos para doação se encontram dentro dos padrões
Muitas campanhas listam produtos, alimentos e outros itens que são de suma importância, como água, cestas básicas, ração para animais, medicamentos dentro da validade, colchões, roupas de uso pessoal, de cama e de banho, entre outros. “Se atente aos itens que fogem dessa lista e, se surgir alguma dúvida, valide ela antes de prosseguir com a doação ou envio”, reforça.
Campanhas não solicitam quantias exatas e valores exorbitantes
Um erro muito comum é achar que existe um valor certo para realizar uma doação — e isso está incorreto. “Não importa a quantidade, o que realmente importa é a intenção. Nesse momento, qualquer valor é importante e faz a diferença. Por isso, desconfie sempre de solicitações que impõem um valor ideal ou muito acima do comum”.
Se atente aos dados bancários e chaves pix
O momento, infelizmente, aumenta o número de golpes virtuais em sites ou campanhas nas redes sociais. “Confira sempre se os dados bancários e outras informações estão de acordo com os perfis oficiais. Nos golpes mais comuns, os hackers aproveitam a chance para realizar clonagens ou se passar por outras pessoas”.
Por fim, a especialista também ressalta a importância das doações
“Juntos, nós podemos unir forças e mostrar solidariedade nesta fase tão triste e complicada para o Rio Grande do Sul. Com mobilização e esforços sendo feitos de forma consciente, podemos ajudar ainda mais pessoas vítimas desta tragédia que, infelizmente, está longe de acabar”, conclui Sylvia Bellio.
Com informações da assessoria