Amanda Nunes, aos 34 anos, chegou a Dallas nesta semana numa posição que há muito tempo não ocupava: desafiante ao cinturão do UFC. Dominante por praticamente cinco anos na posição de campeã peso-galo (até 61,2kg), agora a brasileira tentará diante de Julianna Peña retomar o cinturão que por anos ocupou um lugar especial em casa. Numa entrevista exclusiva ao Combate, a atual campeã peso-pena (até 65,8kg) quer matar a saudade do objeto que ela garante ser seu.

– Quero ser campeã de novo, quero tocar no meu cinturão de novo, levar para casa. Essa é a minha motivação para essa luta, quero ser campeã de novo, quero meu nome lá no topo de novo. É isso que me move – disparou a lutadora, que fará a revanche com a americana no UFC 277 no próximo sábado, com transmissão ao vivo e exclusiva no Combate.

Na condição de campeã ao entrar para a luta desde que defendeu seu cinturão dos galos pela primeira vez em 30 de dezembro de 2016, contra Ronda Rousey, Amanda perdeu o título em 11 de dezembro de 2021, quando Julianna Peña a finalizou no segundo round com um mata-leão. A lutadora baiana aposta na confiança da rival para voltar a vencer.

– Acho que o desafio é que ela está confiante pra caramba! E isso é o que me faz perigosa, é a confiança da minha oponente. Quando ela se expõe bastante é onde consigo encontrar as brechas para nocautear, finalizar, para crescer na luta. Ela vem realmente com muito gás, é uma atleta dura, e está com meu cinturão, ela ganhou para mim, é indiscutível. Mas ela sabe que realmente eu não estava 100% naquela luta, sabe que eu não tinha feito um bom camp, sabe que eu estava com lesões. Ela sabe que eu seria uma presa mais fácil e aí aconteceu. Perdi meu cinturão e agora estamos aqui para resgatar e continuar fazendo história, continuar levando meu legado à frente, continuar colocando o nome do Brasil lá no topo também. Sinto saudade do cinturão, quero ele de volta.

Com um cartel que soma 21 vitórias e apenas cinco derrotas, Amanda Nunes terá pela frente uma adversária que era azarão na primeira luta e agora, mesmo campeã, chega na mesma condição para defender seu título. A brasileira explicou melhor como chega para a revanche.

– Julianna tem um estilo diferente, meio maluca, vai para cima mesmo, consegue absorver bastante os golpes. Tenho que ser precisa, não posso ir para a loteria com ela, até porque sou mais rápida, tenho mais punch, meu chão é melhor que o dela, meu wrestling é melhor que o dela. Preciso ser inteligente também (…). Só preciso estar bem como estou hoje. Vou ser precisa. Se tiver que ir para cinco rounds, vou, porque já estive lá várias vezes na minha carreira. Só preciso realmente ter tranquilidade em alguns momentos e fazer as escolhas certa, e tudo vai ser diferente.

Amanda e Julianna lideraram o reality show The Ultimate Fighter 30 logo depois da primeira luta e a americana manteve uma postura mais tranquila, sem as provocações que fez antes da vitória no ano passado. Amanda garante que não há nada pessoal com a rival.

– Nossa, não tenho nada contra Julianna. Isso é uma forma que ela faz para se promover, falar muito, falar nada, seja como for (…). Mas não tenho nada contra ela, falo com ela, e se ela não quiser falar, beleza, vida que segue – garantiu a Leoa, mas que depois admitiu que a sensação da derrota para Julianna a fez dissipar qualquer possibilidade de encerrar a carreira naquele momento.

– Sair dessa forma realmente não queria. Claro que pensei: “sabe de uma, ah, deixa ela com o cinturão, já fiz tudo que queria mesmo na minha carreira”. Mas do jeito que perdi não dá não, ficaria pensando nisso a vida inteira, seria uma coisa que sempre estaria lá no meu subconsciente, eu não ficaria bem. Isso realmente me fortaleceu bastante para a voltar para casa, cair na academia e treinar duro para voltar e pegar esse cinturão de volta.

Focada em ser mais cerebral nesta revanche, Amanda Nunes quer evitar a ânsia que mostrou ao perder para Julianna, quando foi para cima ao começar a ser golpeada. Ela acredita que pode encerrar a luta a qualquer momento, mas sabe que terá 25 minutos para vencer.

– Honestamente, acho que a qualquer momento posso finalizar, mas são cinco rounds. Quero estar bem para os cinco rounds como sempre estive em outras lutas, e precisa, inteligente, e no momento certo finalizar. Não posso fazer escolhas que sejam perigosas para mim.

Para o UFC 277, Amanda Nunes terá ainda um fato novo: a preparação aconteceu na própria academia que montou perto de casa, na Flórida. Ela deixou a American Top Team logo após a derrota na última luta e chamou antigos e novos parceiros para treinar.

– O schedule foi parecido (com o da ATT), ajustei algumas coisas que já queria ter mudado há um tempo. E dei bastante prioridade ao sparring, que foi uma coisa que não consegui fazer na minha última luta. É onde me sinto bem, é onde sinto que tudo está correndo como a gente planeja (…). A gente agregou outras coisas também que não tinha feito tanto para o outro camp, botamos a corrida, já que eu não estava podendo correr, e é onde consigo o meu cardio – explicou a lutadora, que tem agora ao seu lado o head coach Roger Krahl, o treinador de wrestling Patrick Nagel e José Babuíno Jr. no jiu-jítsu, além do preparador físico Brandon Gallagher.

E recuperar o cinturão não significará o encerramento da carreira. Se a aposentadoria já passou algumas vezes pela cabeça de Amanda Nunes, ela garante que, de fato, isso ainda vai demorar para acontecer.

– Sara McMann tem 40 (anos) eu acho [tem 41 anos, na verdade], e ela está aí lutando pra caramba e bem fisicamente. Tem muita gente que chegou nos 40 lutando, eu tenho muito pau para rolar ainda (risos). Nunca tive uma lesão que atrapalhasse o treino como foi na última luta, consegui curar tudo direitinho e agora estou bem. Tem mais Amanda aí pra frente!

Fonte: Combate