Piauí – As jogadoras das Abelhas Rainhas, clube de futebol feminino do Piauí, viveram momentos de terror após serem rendidas em um assalto praticado por dois homens não identificados depois da derrota por 3 a 2 para o Fluminense-PI na 3ª rodada do Campeonato Piauiense.

Ao deixar o estádio Lindolfo Monteiro, em Teresina, Quitéria Alves, presidente do clube, teve a bolsa levada. Na abordagem, uma atleta foi abusada sexualmente dentro do ônibus da equipe enquanto aguardava as colegas de time, segundo o técnico Begão Silva.

A Federação de Futebol do Piauí (FFP) informou que a Polícia Militar foi acionada e dispersou os assaltantes. Os documentos e dinheiro da dirigente foram abandonados pela dupla e recuperados. Ninguém foi preso.

“Pareceu um filme de terror. A ficha veio cair no ônibus quando a gente estava vindo embora. Nem consegui dormir, pensativa em tudo o que aconteceu, que poderia ter sido pior, que poderia ter tomado outro rumo essa história, poderia ter tido um mar de sangue com muita atleta correndo, motorista correndo. Muito aterrorizante. O que mais me dói é ter que ter ouvido de um representante da federação é que estamos erradas nesta situação”, disse Quitéria Alves.

Técnico das Abelhas Rainhas, Begão Silva contou que a atleta abusada relatou ter sido tocada em suas partes íntimas por um dos assaltantes. Segundo o treinador, ela gritou pedindo ajuda. Neste momento, de acordo com relatos, o motorista havia fugido do local por conta de um dos assaltantes, que estava armado com faca.

Os policiais militares de plantão no jogo efetuaram vários tiros, que dispersaram a dupla. O clube informou que não registrou boletim de ocorrências.

“Situação lamentável. Desespero total da gente. Infelizmente aconteceu isso. A gente não tem tempo de sair todo mundo junto porque o pessoal da federação fica pressionando a gente para desocupar logo o vestiário. Ai a gente fica levando de pedaço em pedaço as coisas. Se todo mundo tomasse banho e saísse junto, seria mais difícil assaltar todo mundo junto. Agora quando vê que é mulher… Só tinha eu e o motorista carregando (as coisas). Só deu tempo da gente sair para buscar o resto e aconteceu o cara puxando a bolsa e saindo correndo”, relatou o treinador.

A presidente das Abelhas Rainhas informou que a FFP prometeu destinar policiamento à equipe na saída do estádio nos próximos jogos. O estadual feminino é realizado em sede única e todos os confrontos ocorrem no estádio Lindolfo Monteiro, no Centro de Teresina.

“Nossa equipe passou um grande susto de assalto quando estávamos saindo do vestiário, colocando as coisas no carro para vir embora. Foi um susto o ladrão carregando a bolsa da gente, tentando tomar o celular das mãos das meninas, ameaçando o motorista. Foi muito aterrorizante ontem”, completou a dirigente.

Árbitro do jogo, Antônio Francisco Cordeiro de Paula não relatou o episódio vivido por atletas e funcionários do clube fora das dependências do estádio.

Confira a nota da FFP, na íntegra

“A Federação de Futebol do Piauí informa que segue todos os protocolos de segurança dentro das praças esportivas onde são realizadas as suas competições e que na parte externa dos estádios, a segurança é de responsabilidade do Estado.

No caso em comento, ocorrido na noite desta quarta-feira (1), havia uma guarnição da Polícia Militar no Estádio Lindolfo Monteiro. Assim que soube que estava acontecendo o fato, a PM-PI que estava dentro do estádio prontamente atendeu a ocorrência, chegando inclusive a correr atrás dos meliantes, dando disparos de arma de fogo para cima, mas infelizmente não conseguiu prender nenhum deles.

Durante a fuga, os bandidos deixaram cair a bolsa da dirigente que havia sido tomada de assalto, e tão logo foi recuperada foi devolvida à dona.

A FFP esclarece que sempre primou pela segurança de todos os evolvidos nos jogos em todas as dependências das praças esportivas do Estado, mas, infelizmente, fora dos estádios todos nós estamos sujeitos à insegurança que impera em nossa sociedade.

A FFP informa ainda que está providenciando e solicitando junto à PM-PI o reforço para que nos dias de jogos possa colocar policiamento nos arredores dos estádios para tentar coibir atos desagradáveis semelhantes ao ocorrido”.

*Com informações do G1.