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Nesta sexta-feira (18), a Associação de Mulheres Jasmim do Estado do Amazonas, em parceria com diversas instituições, entre elas o Movimento Escoteiro e o Partido Republicano da Ordem Social (PROS/AM), promoveu uma caminhada pelas principais vias do Cacau Pirera, distrito do município de Iranduba (localizado na região metropolitana de Manaus) para chamar a atenção sobre um drama que afeta a população feminina: a violência contra a mulher.

Pessoas de todas as idades aderiram ao protesto ‘Quebrando o silêncio, volta por cima’. O objetivo dos manifestantes, – quatro dias depois que duas mulheres foram mortas e uma terceira ferida com disparos de arma de fogo no município-, foi alertar sobre o risco do silêncio e mostrar que a associação está de portas abertas para receber às vítimas.

Desde 2011, a Associação de Mulheres Jasmim atua na prevenção da violência de gênero e desenvolve atividades educativas e profissionalizantes. A meta da organização não governamental é propiciar as participantes o aprendizado de atividades rentáveis, que as permitam adquirir independência financeira e, dessa forma, tenham forças para cortar o vínculo com agressores, que na grande maioria estão no seio da própria família.

A presidente Cacilda Viana fundou a associação para ajudar outras mulheres a se libertar das agressões que ela conhece tão bem. O ex-marido era violento e a impedia de ter vida social, nem a igreja ela podia frequentar. Depois de anos de sofrimento, ela rompeu o ciclo de violências físicas e morais.

O PROS-AM vem apoiando as mulheres por meio de incentivo para a realização dos cursos e bazares, cuja renda é direcionada para as integrantes da associação. O partido também tem encaminhado às vítimas para as delegacias especializadas em crimes contra mulher e órgãos de assistência social.

“O mês agosto lilás tem recibo atenção especial do partido, que tem participado intensamente de iniciativas como a da Associação Jasmim, por entender que todos somos responsáveis. Muitas das vítimas aceitam a violência porque não dispõem de recursos para sustentar sua família. Os homens subjugam mulheres e filhos porque detém o poder econômico”, declarou o presidente do PROS-AM, dr. Mike Ezequias. O dirigente também destacou as ações de enfrentamento adotadas pelo partido. “O PROS tem atuado em duas frentes para acabar com a violência: auxilia na realização dos cursos profissionalizantes, intermediando contatos com instituições que promovam a qualificação e tem ampliado o número de filiadas. Temos buscado para as fileiras do partido mulheres que ajudem a construir políticas públicas, visando à independência financeira, emocional e resgatando a autoestima das que sofrem por falta de apoio”, detalhou dr. Mike.

 

Violência no estado

Dados do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado no último mês de junho, revelam que uma em cada grupo de quatro mulheres, acima de 16 anos, declarou ter sofrido algum tipo de violência no país durante o ano passado.No Amazonas, os dados também são alarmantes. No primeiro semestre de 2021, conforme informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), foram efetivados 10.403 registros de ocorrências por mulheres que se declaram vítimas de violência doméstica. A maioria dos registros, 9,6 mil, foram feitos em Manaus.A capital conta com três delegacias especializadas neste tipo de crime onde podem ser feitas as denúncias. Elas estão situadas nos bairros do Parque 10, Colônia Oliveira Machado e Cidade de Deus. No interior, apenas os municípios de Humaitá, Coari, Eirunepé, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga e Tefé possuem delegacias especializadas de polícia para apurar os crimes de violência contra a mulher.