Amazonas – Os candidatos à Reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) pela Chapa 19, André Zogahib, candidato a reitor, e Kátia Couceiro, candidata à vice-reitora, visitaram o Centro de Estudos Superiores de Parintins (Cesp/UEA) nesta segunda-feira (07), localizado na ilha tupinambarana, distante 325 quilômetros de Manaus em linha reta.

O Cesp foi fundado em 2001, no mesmo ano que a sede iniciou suas atividades na UEA. Mesmo tendo 20 anos de história, contando com oito cursos de licenciatura, uma turma de pós-graduação, cerca de 75 professores, de 25 técnicos e de, aproximadamente, 1.800 alunos, a unidade de Parintins ainda carece de serviços essenciais por causa do baixo orçamento.

O professor Camilo Ramos, docente do curso de Geografia da UEA de Parintins, interpelou os candidatos a respeito da verba insuficiente para a manutenção e desenvolvimento das atividades dentro e fora da sala de aula. “A verba para o nosso centro, que é o maior fora de Manaus, é de apenas R$ 32 mil, parcelado em quatro vezes. Temos grupo gerador que não funciona por falta de diesel e dispomos de dois carros que ficam parados por falta de combustível. Os senhores são favoráveis à criação de um fundo para a manutenção do nosso centro?”, perguntou o professor após relembrar que as viagens de estudo dos cursos de Geografia, História e Biologia raramente são autorizadas por falta de orçamento.

André Zogahib esclareceu que a Chapa 19 elaborou um amplo e participativo plano de gestão que contempla inúmeras medidas para auxiliar no desenvolvimento da educação no interior do Amazonas. “Nosso grupo de professores, técnicos administrativos e de alunos estudou, exaustivamente, os problemas a fim de construir propostas eficientes. Claro que, durante a gestão, iremos ouvir novamente a comunidade acadêmica a fim de estabelecer as prioridades e a alocação dos recursos. Defendemos a autonomia orçamentária. O interior deve ter verba que permita a execução de suas atividades de ensino aprendizagem”, posicionou-se André Zogahib.

O candidato a reitor ponderou ainda que o desenvolvimento tecnológico acarreta no desenvolvimento econômico e não o inverso. E que ambos tornam-se realidade a partir do investimento na educação.

Igor Andrade, estudante do 6º período de Química, morador do município de Boa Vista do Ramos, relatou a dificuldade de morar em outra cidade e do diminuto número de quatros na Casa do Estudante. “Vim para Parintins porque acreditava que teria mais apoio. Depois de muita luta, consegui um lugar na Casa do Estudante. Divido 12m² com mais dois alunos e recebo R$ 220,00 como auxilio para transporte porque nossa casa fica no centro e a universidade no bairro Djard Vieira, bem distante. Esse valor não aumenta desde 2019. Tenho amigos que estão numa situação ainda pior. Não conseguiram vaga e gastam o pouco que tem em aluguéis para não deixar de estudar”, afirmou.

A candidata à vice-reitora, Kátia Couceiro, disse que entre as propostas da chapa, que tem como slogan “Gestão, participação e respeito”, está a reestruturação das Casas do Estudante. “Tive muitos alunos no curso de Medicina, aqui de Parintins, que sofriam com a falta de moradia e de alimentação. Isso não pode mais acontecer se pretendemos ser uma universidade de excelência. Não adianta sermos a maior universidade multicampi se não suprirmos as necessidades dos nossos alunos. Vamos rever o Programa de Moradias Estudantis de modo a ampliar a oferta e revisão dos parâmetros para concessão de moradia aos discentes que realmente estão em situação de vulnerabilidade social. Quanto ao aumento de benefícios, seremos cirúrgicos na avaliação de despesas, cortaremos o excesso para aplicar nas áreas prioritárias.”

Além da centralização financeira e da falta de autonomia para gerir recursos, os docentes reclamaram da falta de estrutura e de recursos humanos que comprometem a prestação de serviços. O professor de Química Rafael de Souza relatou que por falta de salas de aula o centro de Parintins não consegue fazer vestibular anualmente para todas os cursos. Segundo ele, sempre um fica com uma turma a menos. “Tocamos o curso de Química com apenas seis professores e isso acontece também com os demais. Precisamos de reforço”, pediu.

Os candidatos da Chapa 19 comprometeram-se a fazer uma gestão participativa, que irá criar canais de comunicação eficientes para ouvir a comunidade acadêmica e implantar as ações solicitadas.