Iago Siqueira por pouco não presenciou o estopim do conflito, mas decidiu retornar ao futebol ucraniano depois de um ano e meio

Em 24 de fevereiro de 2022, o mundo testemunhou o início de um dos mais violentos conflitos da história moderna: a guerra entre Rússia e Ucrânia. Além das centenas de milhares de pessoas, civis e militares, que perderam a vida, outros milhões se viram no meio de um cenário aterrorizante, entre eles 41 brasileiros que jogavam no futebol ucraniano. Por pouco, o meia Iago Siqueira não foi um deles. Mas hoje, passado quase um ano e meio, o atleta decidiu voltar à Ucrânia para manter vivo o sonho de jogar na Europa.

O jogador, que no início do ano passado vestia as cores do Alvarenga-POR, havia acertado sua transferência para o Inhulets-UCR. No entanto, por conta de problemas contratuais, o jogador atrasou sua ida para Kiev e teve de retornar para Portugal. No dia seguinte, a Rússia fez o primeiro ataque contra a Ucrânia e as competições foram paralisadas.

Após mais de um ano de conflito, o Campeonato Ucraniano de futebol foi retomado no último dia 28. Considerando a sorte que Iago teve ao escapar da guerra, parece loucura querer voltar para um país que segue em combate. Mas não para ele, que assinou com o Veres Rivne.

“A minha motivação em voltar foi a oportunidade de jogar a primeira divisão do campeonato ucraniano, um campeonato bom, de bastante visibilidade, e de voltar para o mercado europeu. Claro que eu sabia de toda a situação da guerra, mas eu senti que tinha que vir porque seria bom para a minha carreira”, diz o meio-campista.

“Medo a gente tem. Eu viajei com medo, na verdade. Mas sabendo da oportunidade que seria boa pra mim. Medo a gente sempre tem, porque a gente sabe que a guerra continua aqui no país, então a gente fica com esse receio, mas o clube dá todo apoio pra gente e a gente está seguro aqui”.

Na queda de braço entre o medo e a oportunidade de jogar, prevaleceu a vontade dar certo em solo europeu, o que não significa que o atleta não tenha ficado apreensivo com o retorno, muito menos sua família. “É até engraçado porque, quando eu falei para os meus pais da proposta, eles ficaram malucos. Não queriam deixar de jeito nenhum. Mas fui convencendo aos poucos”, conta o jogador.

A rotina em um país em guerra

O atleta foi anunciado no dia 20 de julho no Veres Rivne, clube situado na região de Rivne, no noroeste da Ucrânia, a 320 km da capital, Kiev. No entanto, ao contrário do imaginário popular, a vida de Iago é mais “normal” do que o esperado. Ainda assim as particularidades de um país em guerra existem.

“Na minha estreia, o jogo já estava nos 80 minutos, pra acabar, quando tocou a sirene.” O alarme soado era um aviso de que alguma região do país estava sob ataque. Iago conta que quando a sirene toca a partida é paralisada e os atletas são encaminhados para uma zona segura do estádio. Depois de alguns minutos de paralisação, o jogo é retomado e é adicionado o tempo perdido nos acréscimos.

“É loucura, mas é assim que está a situação. Pelo menos em Rivne, está tudo tranquilo, não teve nenhum ataque, praticamente é um lugar bem seguro. Dá pra ter a vida normal. Desde que cheguei aqui estou vivendo minha vida normal, as pessoas da cidade também. É um lugar bem seguro, que permaneça assim e que essa situação acabe logo”, completa o jogador.

 

 

Fonte: R7

Foto: Divulgação