InícioFAMOSOSRainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense sofre ofensas racistas. Entenda!

Rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense sofre ofensas racistas. Entenda!

Maria Mariá, rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, afirmou ter sido alvo de ofensas racistas, após a publicação de um vídeo no qual aparece sambando na quadra da atual campeã do Carnaval carioca, durante as eliminatórias dos sambas-enredo para o desfile de 2024. A disputa aconteceu no último dia 22 de setembro, em Ramos, na Zona Norte do Rio.
Em determinado momento, a majestade samba próximo à integrantes que tocam chocalho e seus cabelos com tranças afro, se movimentam conforme ela evolui. Internautas insinuaram que a rainha de bateria estaria atrapalhando os colegas por conta das tranças.

“Incrível como essas minas adoram jogar esses cabelos de boneca velha na cara dos outros”; “Se eu fosse do chocalho, eu acenderia um isqueiro na trança dela e ela não ia nem ver de onde veio o fogo”; “Ou eu puxava essas tranças feias ou ela ia conhecer o som do chocalho”, disseram alguns internautas.

Maria Mariá se defende

A rainha, que substitui IZA no posto à frente da Suingue da Leopoldina, fez um desabafo sobre o ocorrido e recebeu apoio de muitos sambistas e personalidades do carnaval.

“Como graduanda em comunicação social, sei bem como o efeito manada na internet funciona. Os algorítmos são falhos e rápidos, alimentam quase sempre o que não deveria, mas não se pode esperar muito de algo racista, não é mesmo? Verdadeiramente, não me abala. Niguém agrada todo mundo”, declarou Maria, inicialmente.

A rainha prosseguiu: “Aos misóginos e racistas, eu estou bem! O que me preocupa e entristece é a ideia. O pensamento é muito poderoso, principalmente quando se tem a intenção de ferir o próximo. Espero verdadeiramente que meu posicionamento fortaleça cada um de vocês! O racismo é vertiginoso na nossa sociedade, infelizmente”.

Em nota, a Imperatriz Leopoldinense repudiou o ocorrido e afirmou que a escola e a rainha, por meio de seus advogados, “tomarão as medidas cabíveis contra os agressores”.

“O conhecimento e a luta contra qualquer forma de racismo, seja ele individual, estrutural, institucional ou ambiental, são pautas urgentes. Como característica singular, a humanidade nos une através da pluralidade. O Carnaval, por si só, une os povos em festa, amor e empatia. A luta para exorcizar este modo criminoso de agir e pensar é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática”, argumentou a Imperatriz.

A Mocidade Independente de Padre Miguel afirmou: “Nós não vamos sucumbir. a estrela está com você”. Intérpretes, como Wander Pires, também prestaram solidariedade.

Rainhas de bateria também apoiaram Maria Mariá: “Ninguém imagina o que nós passamos, os nossos corres. A internet é uma via de mão dupla e ‘terra de ninguém’. Haja paciência! Você é incrível, rainha!”, afirmou Mayara Lima, rainha do Paraíso do Tuiuti.

“Não é fácil, não. Mas você tem uma força extraordinária, não se esqueça disso!”, disse Evelyn Bastos, rainha da Mangueira.

Maria Mariá vai à policia

Dante das ofensas racistas, Maria Mariá foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na terça-feira, 26 de setembro. Contudo, o expediente já havia encerrado.

Ela, que reuniu prints com os comentários de teor racista e misógino para anexar junto ao boletim de ocorrência, pretende retornar à unidade nesta quarta-feira, 27, para formalizar a denúncia.

 

 

Fonte: O Fuxico

Foto: Divulgação



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