A Educação é uma via de mão dupla e requer dedicação e parceria dentro de sala de aula. No caso da Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma das modalidades de ensino da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, essa troca é ainda mais importante. Em muitos casos, ela é um dos poucos recursos encontrados por aqueles que, há anos, tiveram de abandonar os estudos e, da matrícula ao diploma escolar, o professor desempenha um papel fundamental, como diz Jean Torres, de 28 anos: “É importante poder desafiá-los, mostrar que são mais capazes do que as outras pessoas, ou eles próprios, acreditam”.

Professor dos componentes Língua Portuguesa e Artes, no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Jacira Caboclo, ele se dedica exclusivamente, há dois anos, à EJA. “Fui convidado pela nossa gestora, Suziane, para ajudar a tornar a escola mais atrativa, transformando para melhor a didática em sala de aula”, acrescentou.

A atratividade, por sinal, é ingrediente importante no que diz respeito à Educação de Jovens e Adultos. Tanto que, no ano passado, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Educação, anunciou uma reformulação na modalidade, com o objetivo de garantir a celeridade de inserção no mercado de trabalho, aumentar a oferta por meio de matrículas semestrais e minimizar a evasão escolar.

De acordo com Jean, a novidade tem surtido efeito: “Em nossa escola, realizamos o serviço de busca ativa do estudante e, muitas vezes, quando entramos em contato, ele se sente motivado pela possibilidade de concluir os estudos em um tempo mais curto. A Eja, em outras palavras, tornou-se uma forma de ‘sobrevivência’ no mercado. Os alunos precisam do certificado de conclusão o mais rápido possível”.

Dinâmica – Jean Torres atua nos três turnos (matutino, vespertino e noturno), atendendo, aproximadamente, 18 estudantes por dia, das mais variadas idades e realidades de vida. De segunda a quarta-feira, as aulas são presenciais; às quintas e sextas-feiras, os alunos revisam os conteúdos de casa, por meio de estudos dirigidos.

Por serem turmas menores, ele conta que a aproximação e a amizade com os estudantes é inevitável – e essencial para o aprendizado. “Nós nos sensibilizamos demais com as histórias que ouvimos, o que nos torna mais próximos. Desta forma, temos mais abertura para cobrar e conversar a respeito das faltas e o porquê delas. A gente conhece o dia a dia deles, por isso, tentamos flexibilizar ao máximo para que não abandonem os estudos”, completou o professor.

Futuro – Diferentemente do que muitos pensam, as aspirações dos alunos da EJA são tão grandiosas quanto às dos estudantes com níveis de ensino e faixas etárias estabelecidas. “Temos alunos que querem cursar Direito, Medicina… Eles se esforçam muito para isso, e nós também. A idade nunca foi ou deve ser um empecilho”, reforçou Jean.

Ele revela que, caso precise, retorna ao mesmo conteúdo quantas vezes for necessário. Isso resulta não somente no aprendizado do estudante, mas também o motiva e faz com que ele não se sinta inferiorizado. “As pessoas não têm ideia, mas nossos alunos são extremamente dedicados. Eles questionam, estão sempre fazendo exercícios, praticando. Não param. E isso tem de ser valorizado pela gente, professor, para que nós possamos criar aulas ainda mais atrativas, que correspondam à altura”, frisou.

Nova EJA – A modalidade de ensino foi reformulada na estrutura e proposta pedagógica, respeitando aspectos socioculturais e econômicos da população. Com a reformulação busca garantir a celeridade de inserção no mercado de trabalho, aumentar a oferta por meio de matrículas semestrais e minimizar a evasão escolar, assegurando a conclusão de cada etapa e propiciando a continuidade dos estudos. Mais informações sobre as mudanças estão disponíveis no link: http://www.educacao.am.gov.br/novo-eja/.

Para se matricular, basta acessar: https://www.matriculas.am.gov.br/

FOTOS: Eduardo Cavalcante/Seduc-AM